Nesta terça-feira (10), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) solicitou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abertura de uma investigação sobre os recentes aumentos nos preços da gasolina e do diesel em várias regiões do Brasil. A medida chama atenção porque, até o momento, a Petrobras — principal fornecedora de combustíveis do país — não anunciou qualquer reajuste nas refinarias.
Segundo o órgão, sindicatos e entidades do setor relataram que distribuidoras e postos já começaram a repassar aumentos ou planejam fazê-lo em breve. Em alguns estados, o diesel chegou a subir até R$ 0,80 por litro, enquanto a gasolina teve reajustes de até R$ 0,30. A Senacon quer saber se essas altas podem estar relacionadas a práticas que prejudiquem a concorrência ou o consumidor.
Parte da pressão nos preços vem do cenário internacional. A guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã provocou uma forte alta no preço do petróleo, que ultrapassou a marca de US$ 100 por barril — o maior valor em quatro anos. O conflito também levantou preocupações sobre rotas estratégicas de transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz, aumentando o temor de restrições na oferta global.
Mesmo assim, os combustíveis no Brasil ainda não acompanharam totalmente essa alta porque a Petrobras adota, desde 2023, uma política de preços que suaviza oscilações do mercado internacional. O modelo evita repasses imediatos ao consumidor, o que torna ainda mais relevante a investigação para entender por que os valores já começaram a subir nos postos antes de qualquer mudança oficial nas refinarias.


