O mercado global de cacau começou 2026 em plena virada de ciclo. Após um período de forte escassez e preços recordes entre 2024 e 2025 — quando a tonelada chegou a ultrapassar US$ 10 mil —, o cenário agora aponta para maior equilíbrio entre oferta e demanda. Segundo relatório do Itaú BBA, os preços despencaram e já ficaram abaixo de US$ 3 mil em alguns momentos, refletindo a recomposição dos estoques e um mercado mais ajustado.
A produção global reagiu bem na safra 2024/25, com crescimento de 11%, impulsionado por condições climáticas favoráveis em regiões-chave como África e América do Sul. Para o ciclo seguinte, a expectativa é de um superávit ainda maior, consolidando a recuperação da oferta. No entanto, o fator decisivo para essa virada não foi apenas a produção — mas sim a queda no consumo.
O consumo de chocolate perdeu força ao redor do mundo, pressionado pelos preços elevados repassados ao consumidor. A moagem de cacau, indicador importante da demanda, caiu significativamente — na Europa, por exemplo, recuou 5,9% em 2025, atingindo o menor nível em uma década. Esse movimento mostra como o mercado é cíclico: preços altos acabam reduzindo o consumo e forçando ajustes na indústria.
Apesar do novo cenário de maior oferta, o mercado segue sensível a riscos. A produção ainda é altamente concentrada na África Ocidental e enfrenta desafios como lavouras envelhecidas e riscos climáticos, incluindo o El Niño. No Brasil, o reflexo já aparece: queda na moagem, inflação elevada do chocolate e consumo mais fraco. Ou seja, mesmo com preços internacionais em baixa, o impacto no bolso do consumidor ainda deve demorar a diminuir.

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