
O vereador bolsonarista Lucas Pavanato (PL) lançou um abaixo-assinado contra a participação de crianças no Carnaval de rua em São Paulo. Integrante da Câmara Municipal de São Paulo, ele publicou nas redes sociais, no domingo (15/2), um link convocando apoiadores a se manifestarem pela proibição. O texto do formulário fala em “proteção da infância brasileira” e “valores da família”, defendendo que é preciso “estabelecer limites claros” para garantir um desenvolvimento saudável — além de solicitar dados pessoais dos interessados, que poderão ser usados para o envio de futuras atualizações do mandato.
A iniciativa ocorre em meio à movimentação política do vereador, que busca ampliar sua base de eleitores e deve disputar uma vaga de deputado federal por São Paulo neste ano. O debate reacende discussões sobre o limite entre tradição cultural e proteção infantil, especialmente em uma das maiores festas populares do país.
Enquanto isso, a realidade nas ruas mostra outro cenário. Blocos infantis têm reunido centenas de famílias em bairros como Perdizes, na zona oeste, e Freguesia do Ó, na zona norte. No último domingo, o bloco Gente Miúda levou pais e filhos para brincar ao som de marchinhas e músicas voltadas ao público infantil, com direito a guerra de espuma e chuva de confete.
Para as crianças, o foco é a diversão. Mariah Torres, de 11 anos, contou que adorou a brincadeira com espuma: “Eu dei uma de cabeleireira e fiz vários topetes no meu irmão”. Já Elisa Bento de Almeida, de 7, aprovou o passeio, mas deixou sua ressalva: “A única coisa que eu não tô achando divertido é a caminhada”, disse, após encarar uma ladeira em Perdizes. Entre críticas e confetes, o Carnaval infantil segue lotando as ruas — e alimentando o debate.

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