Se a política baiana fosse um aplicativo de namoro, José Ronaldo estaria no topo dos perfis mais curtidos. Prefeito de Feira de Santana pela quinta vez, experiente como poucos e dono de uma habilidade rara: agradar gregos, troianos, governistas e oposicionistas — tudo com o mesmo sorriso institucional.
Nos últimos dias, a agenda de Zé (porque intimidade é o mínimo que ele oferece) mais pareceu a de um anfitrião disputado em ano de São João. No sábado, quem bateu à porta foi o senador Angelo Coronel, recém-desencantado com o PSD e claramente testando novos afetos políticos. No domingo, o convidado foi ninguém menos que o governador Jerônimo Rodrigues, que apareceu para um café político daqueles cheios de subtexto. E, para fechar a semana com chave de ouro, na sexta-feira é a vez de ACM Neto, aliado antigo, chegar para aquela conversa que mistura passado, presente e algumas mágoas mal resolvidas.
José Ronaldo, como todo bom veterano da política, faz questão de reforçar seu discurso preferido: cordialidade acima de tudo, relações institucionais sempre, desenvolvimento da cidade como prioridade. Traduzindo do “politiquês” para o português claro: ele conversa com todo mundo, mas não promete nada — pelo menos em voz alta.
Claro que ninguém está indo a Feira de Santana apenas para falar de urbanismo ou trocar receitas de bolo. O assunto é palanque, é 2026 piscando no horizonte, é o desejo coletivo de ter José Ronaldo ao lado quando as fotos oficiais forem tiradas. Afinal, poucos têm o capital político de transitar tão bem entre campos ideológicos opostos sem perder a pose.
O grande mistério — e o tempero dessa novela — é saber se Zé já digeriu o episódio de 2022, quando foi deixado de lado na composição da chapa majoritária, ou se a memória política segue afiada. Permanecerá fiel a ACM Neto? Ou surpreenderá geral e embarcará no projeto de reeleição de Jerônimo?
Por enquanto, José Ronaldo segue fazendo o que sabe melhor: ouvindo, sorrindo, recebendo visitas e deixando a Bahia inteira na expectativa. Porque, no jogo político, às vezes o maior poder não é escolher um lado — é fazer todo mundo acreditar que ainda tem chance.


