Uma declaração do senador Marcio Bittar (PL-AC) durante a sabatina de Jorge Messias no Senado provocou repercussão imediata. Ao comentar sobre a ditadura militar, Bittar afirmou que o cantor Caetano Veloso teria participado de ações armadas — o que foi prontamente contestado pelo senador Otto Alencar (PSD-BA).
A correção veio na hora. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto interrompeu o colega para esclarecer: Caetano nunca pegou em armas. “Ele só pegou a vida inteira em violão”, disse, pedindo a retirada da afirmação. A fala rapidamente ganhou destaque e reforçou o clima tenso da sessão.
Nas redes sociais, o próprio Caetano reagiu, agradecendo ao senador baiano por “restabelecer a verdade e desfazer mais uma fake news”. O artista reiterou sua posição histórica: “Tenho horror a armas! Me muno apenas do violão, da palavra e da canção”. Registros oficiais mostram que ele foi preso em 1968 por sua atuação artística e viveu no exílio em Londres entre 1969 e 1972, sem qualquer ligação com atividades armadas.
Enquanto a polêmica repercutia, a sabatina terminou com um desfecho histórico: o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal, feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foi a primeira rejeição desse tipo desde 1894. Com 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, o nome foi arquivado, obrigando o governo a indicar um novo candidato para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso.

