
Um possível corte no fornecimento de diesel da Petrobras para distribuidoras acendeu um alerta no setor de combustíveis. Segundo Carlos Eduardo Hammerschmidt, diretor da União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio), o volume destinado à região de Araucária teria sido reduzido em cerca de 30% para abril. Considerando outras regiões do país, a queda média no abastecimento ficaria em torno de 23%.
De acordo com o executivo, a redução estaria ligada ao impacto internacional causado pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, que levou ao fechamento do estratégico Estreito de Ormuz — rota por onde passam cerca de 20% das cargas globais de petróleo e gás natural. O cenário internacional aumenta a pressão sobre o mercado energético e pode afetar o fornecimento de combustíveis.
Especialistas do setor defendem que uma alternativa para reduzir riscos de desabastecimento seria ampliar a mistura de biodiesel no diesel vendido no país. Hoje, o Brasil adota a mistura de 15% (B15), mas há propostas para elevar esse percentual gradualmente. A indústria afirma ter capacidade ociosa e condições de ampliar a produção para reduzir a dependência de importações.
Em meio ao cenário de incerteza, a Petrobras informou que não alterou as entregas de diesel em suas refinarias. Já o governo federal, liderado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou medidas para tentar conter possíveis aumentos no preço do combustível, incluindo a isenção de PIS e Cofins sobre a produção e importação de diesel. O objetivo é reduzir o impacto da crise internacional sobre o bolso do consumidor e sobre setores que dependem do combustível, como o agronegócio e o transporte.

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