
O Irã amanheceu sob uma nova liderança neste domingo (1º). O aiatolá Alireza Arafi foi eleito líder supremo interino do país, um dia após a morte de Ali Khamenei, confirmada por agências estatais. A decisão foi anunciada pelo Conselho de Discernimento do Interesse do Estado e coloca Arafi à frente de um conselho provisório que comandará o país até que a Assembleia dos Peritos escolha um sucessor definitivo — algo que, segundo o chanceler Abbas Araqchi, pode ocorrer em “um ou dois dias”.
A escolha acontece em meio a forte instabilidade. Khamenei morreu após um bombardeio coordenado entre Estados Unidos e Israel contra o complexo presidencial onde ele estava. Horas antes da confirmação oficial da morte, três altas autoridades já haviam sido designadas para conduzir o governo interinamente: o presidente Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário Gholamhossein Mohseni-Ejei e um jurista do Conselho dos Guardiões.
Para entender o peso dessa transição, é preciso lembrar que desde a Revolução Islâmica de 1979 — quando os aiatolás derrubaram a monarquia do xá Reza Pahlavi — o Irã funciona como uma teocracia. O cargo de Líder Supremo concentra os maiores poderes políticos e religiosos do país. Apenas dois homens ocuparam essa posição até hoje: Ruhollah Khomeini até 1989, e depois Khamenei. É o Líder Supremo quem define a política externa, supervisiona o Parlamento, nomeia o comandante da Guarda Revolucionária e indica os principais nomes do Judiciário.
Embora o país tenha presidente eleito por voto direto, o sistema impõe limites claros: todos os candidatos precisam ser aprovados previamente pelo próprio Líder Supremo. Ou seja, mesmo com eleições, a palavra final sempre esteve nas mãos da autoridade religiosa máxima. Agora, com Arafi assumindo interinamente, o mundo observa atento para saber quem será o próximo nome a comandar o Irã — e quais rumos o país tomará em um momento de tensão extrema.

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