📉 Menos Alunos, Mais Inclusão? O Novo Retrato da Educação Brasileira em 2025

O Brasil perdeu mais de 1 milhão de matrículas na educação básica entre 2024 e 2025. O número caiu de 47,08 milhões para 46,01 milhões, segundo o Censo Escolar 2025 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Apesar do susto inicial, o governo afirma que a notícia não é necessariamente ruim. De acordo com o ministro da Educação, Camilo Santana, a queda é explicada principalmente pela diminuição da população em idade escolar e pela redução da repetência, com mais estudantes sendo aprovados em sequência. Em outras palavras: há menos crianças e adolescentes, mas proporcionalmente mais deles estão na escola.
O presidente do Inep, Manuel Palacios, afirmou que o país está próximo de universalizar o acesso à educação básica — um marco histórico. Ainda assim, os números revelam desafios importantes. O ensino médio atingiu em 2025 o menor patamar de matrículas do século XXI: 7,3 milhões de estudantes. Só São Paulo perdeu mais de 250 mil alunos em um ano. Nem mesmo políticas como o Pé-de-Meia e o Novo Ensino Médio conseguiram evitar o recuo. A rede pública foi a mais afetada, enquanto a rede privada registrou leve crescimento — insuficiente para compensar a perda geral.
A educação infantil também acendeu o sinal de alerta. Houve redução de mais de 205 mil matrículas, especialmente na pré-escola, e diminuição no número de unidades em funcionamento. O Brasil não atingiu as metas do Plano Nacional de Educação para 2024: apenas 39,7% das crianças de 0 a 3 anos estão na creche (a meta era 50%), e 93,4% das de 4 e 5 anos frequentam a pré-escola (meta de 100%). Especialistas alertam que, mesmo com a queda na taxa de natalidade, o país precisará ampliar significativamente o número de vagas para cumprir os próximos objetivos.
Outras modalidades também encolheram. A Educação de Jovens e Adultos (EJA) caiu 5,8%, mesmo com mais escolas oferecendo a modalidade. O ensino técnico subsequente — feito após a conclusão do ensino médio — registrou a maior queda proporcional entre todas as etapas. Já o ensino fundamental teve retração menor, de 0,75%, refletindo seu grande volume de matrículas. O retrato de 2025 mostra um sistema educacional que avança no acesso, mas enfrenta o impacto das mudanças demográficas e o desafio de manter jovens e adultos conectados à escola.

