
A cidade de Juiz de Fora vive um dos capítulos mais tristes de sua história. As fortes chuvas que atingem a região já deixaram 22 mortos, mais de 3 mil pessoas desabrigadas e ao menos 37 desaparecidos. Na madrugada desta terça-feira (24), a prefeitura decretou estado de calamidade pública, suspendeu as aulas da rede municipal e anunciou luto oficial de três dias. Segundo o município, este já é o fevereiro mais chuvoso da história local, com 584 milímetros acumulados — o dobro do esperado para o mês.
Os bairros Parque Burnier e Cerâmica estão entre os mais devastados. Casas desabaram, famílias ficaram soterradas e equipes do Corpo de Bombeiros trabalham com apoio de cães farejadores em meio à lama e aos escombros. O Rio Paraibuna transbordou, pontes foram interditadas e dezenas de ruas ficaram bloqueadas. A prefeita Margarida Salomão classificou o momento como “o dia mais triste do meu governo”, enquanto sobreviventes resgatados seguem sendo encaminhados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS).
A tragédia também atinge outras cidades da Zona da Mata. Em Ubá, o transbordamento do Ribeirão Ubá deixou sete mortos e três desaparecidos após a maior inundação dos últimos anos. Já em Matias Barbosa, o prefeito decretou estado de calamidade para agilizar o acesso a recursos federais e ampliar o atendimento às famílias afetadas. Imagens da enxurrada arrastando até caixões de uma funerária no Centro de Ubá viralizaram nas redes sociais e simbolizam a força destrutiva do temporal.
A repercussão chegou a Brasília. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou solidariedade às vítimas, enquanto o governador Romeu Zema decretou luto oficial em Minas Gerais. O Ministério da Defesa foi acionado para reforçar as ações com tropas, viaturas e helicópteros em apoio às operações de resgate, limpeza e assistência humanitária. Em meio à dor e à destruição, a prioridade agora é salvar vidas e acolher quem perdeu tudo.

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