O clima esquentou nos bastidores da Casa Branca. Segundo o jornal The Washington Post, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto dos Estados Unidos, teria alertado o presidente Donald Trump sobre os riscos de um ataque ao Irã. Em reunião realizada na semana passada, Caine demonstrou preocupação com a possibilidade de baixas americanas e com a dimensão de uma campanha militar no Oriente Médio — que poderia se transformar em um conflito longo e imprevisível.
De acordo com a reportagem, os Estados Unidos enfrentariam dificuldades logísticas, especialmente pelo baixo estoque de munição. O arsenal estaria pressionado pelo apoio militar contínuo a Israel e à Ucrânia. Além disso, o general teria destacado a complexidade de uma operação contra o Irã e a falta de apoio regional. Em janeiro, o The Wall Street Journal revelou que até países historicamente rivais de Teerã, como Arábia Saudita, Catar e Omã, se posicionaram contra uma ofensiva.
Trump reagiu publicamente na rede Truth Social, classificando as informações como “100% incorretas”. Segundo ele, embora integrantes do governo prefiram evitar a guerra, o general estaria pronto para liderar qualquer ação caso receba ordens. “Ele só conhece uma coisa: vencer”, escreveu o presidente, reforçando que a decisão final sobre um eventual bombardeio cabe exclusivamente a ele. Ainda assim, afirmou preferir um acordo diplomático — mas alertou que, sem entendimento, “será um dia muito ruim” para o Irã.
A tensão entre Washington e Teerã cresce em meio às negociações sobre o programa nuclear iraniano. Os EUA exigem limites mais rígidos ao enriquecimento de urânio, restrições aos mísseis balísticos e o fim do apoio iraniano a grupos armados na região. O Irã sustenta que seu programa tem fins pacíficos e aceita discutir apenas a questão nuclear, condicionando concessões ao alívio de sanções. Após duas rodadas de conversas recentes, as delegações devem voltar à mesa nos próximos dias — enquanto o mundo observa, atento, os próximos movimentos dessa disputa geopolítica.


