Megaacordo à Vista: Mota-Engil negocia pacote bilionário para assumir Fiol, Porto Sul e mina na Bahia

A multinacional portuguesa Mota-Engil está em fase avançada de negociações com o governo federal para assumir três ativos estratégicos na Bahia: a Fiol 1 (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), o Porto Sul, em Ilhéus, e uma mina de minério de ferro em Caetité. O pacote pode alcançar cerca de R$ 15 bilhões em investimentos e foi tema de reunião no Palácio do Planalto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e lideranças políticas baianas. A empresa já formalizou as tratativas junto ao Ministério dos Transportes, e o processo está em fase de due diligence — etapa de análise técnica, financeira e jurídica que antecede o fechamento do acordo.
A proposta prevê que a Mota-Engil assuma 100% das concessões, sem novos sócios. Entre os principais acionistas da companhia está a estatal chinesa China Communications Construction Company (CCCC), que detém 32,4% de participação e deve liderar o financiamento da operação. O BNDES poderá atuar como financiador parcial, mas não como sócio. Caso o negócio avance, o grupo passará a controlar um corredor logístico considerado essencial para o escoamento de minério e grãos do Centro-Oeste até o litoral baiano.
Atualmente, os ativos estão sob responsabilidade da Bamin, controlada pelo Eurasian Resources Group (ERG), do Cazaquistão, que paralisou as obras após dificuldades financeiras. A Fiol 1, com 537 quilômetros entre Caetité e Ilhéus, está 75% concluída, mas sem previsão de retomada. No fim do traçado está o Porto Sul, projetado como terminal de exportação com investimento estimado em mais de R$ 8,3 bilhões, mas que acumula atrasos apesar de já contar com licenças ambientais e área regularizada.
Se concretizada, a retomada da Fiol pode impulsionar o leilão da Fico-Fiol, previsto para este ano na B3, com investimento estimado em R$ 41,8 bilhões — o maior da carteira ferroviária da União. A operação também reforça a expansão da Mota-Engil no Brasil, onde recentemente venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá e ampliou participação em grandes contratos de infraestrutura, consolidando sua presença no país.

