A polilaminina dominou as redes sociais nos últimos dias. Vídeos de pacientes em recuperação, debates sobre patente e orgulho da ciência nacional colocaram a substância no centro das atenções no Instagram e no TikTok. Mas, em meio à empolgação, surge a pergunta essencial: o que ela realmente pode fazer?
Desenvolvida a partir da laminina — proteína naturalmente produzida pelo corpo humano e fundamental na formação dos tecidos — a polilaminina foi recriada em laboratório para tentar ajudar na regeneração de lesões medulares agudas. A pesquisa é liderada por Tatiana Sampaio, que observou bons resultados em animais e, depois, em um pequeno grupo de oito pacientes. A proposta é que, aplicada na área lesionada, a substância funcione como uma espécie de “ponte microscópica”, ajudando os neurônios a restabelecer conexões interrompidas após o trauma.
Os dados divulgados até agora são considerados promissores, mas ainda preliminares. O estudo não passou por revisão por pares e envolveu um número reduzido de participantes — o que impede conclusões definitivas. Além disso, especialistas lembram que até 30% dos pacientes com lesão medular aguda podem recuperar algum grau de movimento mesmo sem a substância, dependendo da gravidade da lesão e da resposta individual do organismo. Ou seja: os casos que viralizaram não representam necessariamente uma regra.
Apesar da autorização da Anvisa para início dos ensaios clínicos regulatórios, a polilaminina ainda não é um medicamento aprovado. Para chegar aos hospitais e ao SUS, precisará passar por todas as fases obrigatórias de testes de segurança e eficácia. Como a própria pesquisadora afirma, o que existe hoje é uma promessa — não uma revolução consolidada. A ciência avança com esperança, mas também com tempo, método e cautela.


