
A reunião do Supremo Tribunal Federal que culminou na saída de Dias Toffoli da relatoria dos processos envolvendo o Banco Master vazou para a imprensa e provocou forte desgaste interno. Trechos do encontro foram divulgados pelo Poder360, surpreendendo ministros e ampliando o mal-estar na Corte. Nos bastidores, um integrante do tribunal afirmou que o clima é de “perplexidade”, enquanto parte dos magistrados suspeita que o próprio Toffoli possa ter sido o responsável pelo vazamento.
De acordo com a reportagem, dos dez ministros presentes, oito defenderam a permanência de Toffoli na condução do caso. Apenas Edson Fachin e Cármen Lúcia se posicionaram contra. Sem consenso, o debate rapidamente deixou de ser apenas sobre a relatoria e passou a girar em torno da preservação da imagem institucional do STF. Ministros como Gilmar Mendes, Luiz Fux, Alexandre de Moraes, Nunes Marques, André Mendonça, Cristiano Zanin e Flávio Dino afirmaram não ter identificado, no relatório da Polícia Federal, elementos que justificassem o afastamento.
Cármen Lúcia, segundo relatos, adotou um tom firme. Disse confiar no colega, mas alertou para a necessidade de proteger a institucionalidade da Corte e defender que o impasse fosse resolvido antes do Carnaval. “Não é só você que sangra, é a Corte inteira”, teria afirmado a Toffoli. A avaliação predominante entre os ministros era de que sua permanência poderia aprofundar o desgaste público do tribunal.
O encontro foi marcado por tensão desde o início. Toffoli resistiu à ideia de deixar o caso, mas, ao perceber que perderia apoio, decidiu antecipar-se. Propôs encaminhar o processo para nova distribuição, evitando que a saída fosse formalmente imposta pelo plenário. “Eu sei que a imprensa vai divulgar que eu fui retirado do processo”, teria dito. A solução construída permitiu que o afastamento ocorresse a pedido do próprio ministro — uma saída política para conter a crise institucional.

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