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Na política baiana, às vezes o prato do dia não é o debate público, mas o buffet privado. A sessão ordinária da Câmara Municipal de Salvador caiu por falta de quórum, e o plenário Cosme de Farias ficou tão vazio quanto certas promessas de campanha. Coincidência? Claro que não. Enquanto a Casa Legislativa fechava as portas por ausência coletiva, um almoço bem servido acontecia na casa do senador Angelo Coronel, provando mais uma vez que, em Brasília ou em Salvador, a política costuma se resolver melhor à mesa do que no microfone.
O cardápio, pelo visto, estava irresistível. Vereadores da base do prefeito Bruno Reis marcaram presença em peso, devidamente registrados no Instagram do anfitrião, como manda o manual da política contemporânea: se não postou, não articulou. Coronel, recém-descolado do grupo do governador Jerônimo Rodrigues, serviu algo além de comida — ofereceu sinais. E sinais, nesse meio, valem mais que discursos inflamados. A ausência sincronizada no plenário não pareceu descuido, mas coreografia. Uma dança política ensaiada, onde cada cadeira vazia falava mais alto do que qualquer pronunciamento.
Nos bastidores, o almoço já ganhou status de símbolo. Não era confraternização, era reposicionamento. Coronel parece testar o terreno, construir pontes e talvez preparar o salto para um novo campo de alianças, mais próximo da oposição estadual e do entorno de ACM Neto. Em tempos de política líquida, onde convicções evaporam rápido, um encontro informal pode pesar mais que uma votação formal. Afinal, na Bahia, governar é importante — mas saber onde almoçar, aparentemente, é essencial.


